“História do Carnaval em Niterói”

Por Sávio Soares de Sousa

Inicialmente, o chique era passear de bonde, para ver o povo brincar, e assistir ao desfile das grandes sociedades. Depois vieram o corso, as batalhas de confete, o samba nas ruas e calçadas.

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Batalha de confetes. Foto: Manuel Fonseca, década 1940.

Com o correr do tempo, a alegria maior, transferia-se para os salões.

No início do século passado, em Niterói, os clubes fretavam bondes especiais, para que as famílias de seus sócios passeassem nesta cidade. Havia o CLUBE DOS ESTRANGULADORES, que tinha sede na Rua de São João, o CLUBE INTERNACIONAL, que tinha sede em São Domingos. OS FURRECAS DO BARRETO… Uma infinidade de blocos: os “DESEMPENADOS DAS CANELAS”, os “ARARAS”, os “FILHOS DO BRASIL”, o ”ESTRELA DE OURO”, os “AMANTES DO CUPIDO”, o “SOL BRILHANTE”, o “PRAZER DO BELO SEXO”, “CORAÇÃO DE OURO”, os “FILHOS DE VULCANO”…

Na segunda-feira de Carnaval desfilavam os préstitos. Precedendo os carros alegóricos, vinha a comissão de batedores, em cavalos puro-sangue fornecidos pelo Exército. Em seguida, a Banda de Clarins. Depois os carros, verdadeiras obras de arte, com alegorias deslumbrantes. Num trono riquíssimo, cercado de lindas mulheres, o Rei do Carnaval. Sentada sobre um globo, uma senhorita atirava beijos à multidão que a aplaudia. Versos eram distribuídos ao povo, em papeizinhos volantes:

O povo niteroiense
esquecer deves o mal
e na sorte ninguém pense
no dia do Carnaval,

Aceita, Niterói querida
que progrides sem igual
a homenagem bem merecida,
do Clube Internacional.

“Vinham depois os carros da crítica. Aqui, um açougueiro protestando contra a má qualidade da carne que lhe era fornecida para ser vendida a setecentos réis o quilo. Adiante, numa alusão à Câmara Municipal, um cofre vazio, de dentro do qual surgia um leiloeiro, “torrando” tudo quanto podia. Encerrava o cortejo um atordoante “Zé-Pereira”.
– Zé-Pereira…Bum… Bum…
Foi assim o carnaval de 1904

“ZÉ-PEREIRAS”! Mas o que é isso? – Em todo o Brasil, mas sobretudo no Rio de Janeiro, havia o costume de se prestar homenagem galhofeira a notórios tipos populares de cada cidade ou vila do país durante os festejos carnavalescos. O mais famoso tipo carioca foi o sapateiro português chamado José Nogueira de Azevedo Paredes. Segundo o historiador Vieira Fazenda, foi ele o introdutor, em 1846, do hábito de animar a folia ao som de zabumbas e tambores muito grandes, em passeatas pelas ruas, como se fazia em Portugal. Esse bumbos eram denominados “Zé-pereira”

(Fonte: http://musicabrasilis.org.br/, via página “Ponta d’Areia no Facebook)


 

 

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