Monumentos da cidade sofrem com descaso e abandono

Por Raquel Morais*

Com a construção do Mergulhão da Renascença, no Centro de Niterói, o Obelisco foi retirado e até hoje não foi recolocado. Historiadores e pesquisadores de Niterói chamam atenção para o destino da peça datada na década de 1920. Além deste, outros monumentos também ‘desapareceram’, como o hidroplano Jahú, que ficava na Praça Getúlio Vargas, em Icaraí. Além do sumiço dessas peças, o caso chama atenção para a depredação das estátuas de Niterói que, segundo especialistas, deveriam ser mais protegidas pelo poder público.

A historiadora formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF) Antoane Rodrigues lamentou a retirada do Obelisco.

“Foi uma pena e a Prefeitura Niterói removeu para fazer a obra e não sabemos o que foi feito com o monumento. É um monumento histórico da cidade e única marcação para o planejamento do Porto de Niterói, feito de pedra de concreto e de extrema importância histórica para a cidade. É um marco de abertura da Feliciano Sodré dos anos 20, que deveria ser colocado pelo menos próximo ao local da obra”, pontuou.

O livreiro Carlos Mônaco, dono Livraria Ideal, no Centro, também se posicionou sobre o assunto.

“Os monumentos representam figuras importantes para a cidade e é uma forma de homenagear e isso é de grande importância para a história da cidade. Mesmo que tenha sido retirado deve ter o carinho de ser colocado de volta. Isso deve ser respeitado e preservado”, comentou.

O pesquisador Antônio Gavina, de 50 anos, é niteroiense, nascido na Ponta da Areia, mas mora em Portugal desde os 15 anos. Nem a distância fez o niteroiense deixar de pesquisar e estudar sua cidade natal. Ele explicou que o monumento ao voo do Jahú, na Praça Getúlio Vargas, foi retirado do local e deu lugar a outra estátua.

“O destino desse monumento ninguém sabe dizer onde foi. Foi inaugurado em 17 de julho de 1927 com um bloco de granito bruto com uma placa de bronze com o hidroavião Jahú. Isso deveria ser mais respeitado. Alguém sabe do seu paradeiro?”, indagou.

Antoane ressaltou que, outros monumentos da cidade estão sendo depredados e nada tem sido feito para conter isso.

“A Praça da República, no Centro de Niterói, está com o monumento faltando alguns pedaços e isso é um desrespeito. Acho que a conservação dos espaços de memória deveria ser tratada e vigiada, deveria ter uma guarda nesses lugares. Ou também poderia usar cerca, como acontece no Rio de Janeiro, com o monumento de Dom Pedro I na Praça Tiradentes. Essa proteção poderia ser ornamentada, mas pelo menos ia proteger e manter essas peças com qualidade”, frisou a historiadora.

A Prefeitura de Niterói respondeu que o Obelisco da Praça Renascença está guardado no Depósito Municipal e a Secretaria de Cultura está avaliando o local, para que sua recolocação seja feita pela EcoPonte, responsável pela obra do mergulhão. Com relação aos outros monumentos, o Depac (Departamento de Preservação do Acervo Cultural) da cidade fará um levantamento da situação dos locais e monumentos.

(Fonte: *Jornal A Tribuna, 3 de julho de 2018)

Na foto de 1956, o obelisco se encontra quase imperceptível. (Grupo História de Niterói, Facebook)
Em foto mais recente, antes da construção do mergulhão, vemos a base do obelisco.


 

 

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