“Barreto, quem te conheceu não esquece jamais”

“Barreto, quem te conheceu não esquece jamais”

Por Vicente Cantini *

Quem passeia pelo entorno do lago do Campo de São Bento em Icaraí e admira as duas belas esculturas que jorram água pelas bocas dos grandes peixes que as ninfas montam, não imagina a sua origem e história.
Elas vieram da antiga e monumental Praça Gal Castrioto [ou seria Praça Enéas de Castro?] no Barreto, onde emolduravam o chafariz do aprazível e concorrido bairro fabril.

Aliás, o Barreto pode ser considerado o bairro mais próspero do município e do Brasil nas décadas de 30 e 40. Nele, a explosão industrial se fez presente com o vigor e a importância, dentre outros empreendimentos, da Cia de Phosphoros de Segurança Fiat-Lux e sua vila de operários, onde hoje temos o estacionamento do Carrefour; a pujante Cia Manufatora de Tecidos Fluminense que ocupava uma considerável extensão da Rua Dr March com sua fábrica, clube, estádio de futebol e residências desde a Estação de trem até quase a Rua Sá Pinto.

Foi para a fábrica de tecidos que meu avô Rodolfo Cantini se deslocou de Livorno na Itália em 1892 para trabalhar como tecelão e formar sua família de 7 filhos na Rua Câmara Coutinho 17. Entre eles, meu saudoso pai Oscar, que um dia hei de escrever sobre sua saga de vida.

O estratégico Estaleiro Costeira na Ilha do Viana, onde hoje funciona o Renave, recebia para reparos os navios dos Aliados, avariados pelas forças nazistas na 2ª Grande Guerra. O Prof. Henrique Lage com sua Escola Industrial no Barreto formou muitos técnicos navais e outras especialidades para o estaleiro e ao próspero mercado de trabalho local e de Niterói.

A sociedade do Barreto marcava presença no Cinema Brasil lotando suas matinês e sessões noturnas para assistir aos grandes sucessos de Hollywood. O carnaval era outro destaque do bairro tanto nos blocos de rua quanto nos famosos bailes do Clube Humaitá na Rua Guimarães Júnior.

Tudo isso e muito mais, o Barreto foi sempre abençoado pelo padroeiro São Sebastião.

Isso é só o começo! Se você tem mais recordações suas ou de alguém da sua família sobre essa história tão bonita, escreva nos comentários desta crônica. Será muito bem-vindo!

* Vicente Cantini é um niteroiense apaixonado.

(Fonte: http://exploreniteroi.com.br/, via Facebook)

Apresentado na reunião do Rotary Niterói Icaraí de 1/2/2017.

 

 

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