Grupo de Regatas Gragoatá

Grupo de Regatas Gragoatá

Agradável surpresa foi ler uma pequena notícia, publicada na coluna “Fronteira Aberta”, do Jornal de Icaraí, datada de 21 a 27 de janeiro deste ano, sobre o Grupo de Regatas Gragoatá.

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A sede social do Clube, onde aconteceram no passado muitas festas e eventos sociais importantes. No térreo, a garagem de barcos.

Ainda lembro do projeto que foi desenvolvido e parcialmente implementado pela Coordenação de Projetos Experimentais, a Copex, nos idos da década de 1990, no âmbito da Universidade Federal Fluminense. A Copex estava vinculada ao Gabinete do Reitor e tinha como um dos objetivos fazer uma ponte entre os campi da UFF e a comunidade, em particular, os bairros da Boa Viagem, Gragoatá e São Domingos. Com um viés histórico, foi iniciado um projeto que beneficiasse o Grupo de Regatas Gragoatá e devolvesse a auto-estima aos poucos sócios que ainda o mantinham funcionando. O projeto consistia desde a pesquisa histórica desse centenário clube de remo, passando pela restauração de sua sede antiga e um projeto de urbanização de uma área no aterro que recebeu em troca da perda de seu acesso ao mar pelo governo federal, na época do aterro da Praia Grande, até a divulgação desse trabalho na mídia e em diversos eventos, objetivando chamar a atenção para sua importância na cidade de Niterói, bem como no esporte náutico.

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A praia de Gragoatá, em 1908.

Como dito acima, em função da perda do seu acesso ao mar, o Grupo viu morrer também seu esporte principal: o remo. As competições, antes realizadas na baía de Guanabara, há muito tinham sido transferidas para a Lagoa Rodrigo de Freitas, o que contribuiu para que os clubes de remo de Niterói, não só o Gragoatá, perdessem sua função primeira.

“Barcos de madeira, homens de ferro, nervos de aço” foi o título do projeto que motivou todo o trabalho da equipe da Copex, formada por historiadores, arquitetos, assistentes sociais e estagiários.
O Grupo de Regatas Gragoatá é um dos primeiros clubes de remo do Brasil. Foi fundado em 5 de fevereiro de 1895, época em que floresceram inúmeras outras agremiações de remo de norte a sul do Brasil. Promoveu a fundação de outros clubes esportivos, participou intensamente das competições esportivas, fez-se representar nas federações de remo. Enfim, era um clube importante e respeitado entre seus congêneres.

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A baleeira “Alpha” guardada com carinho pelo Clube.

A baleeira “Alpha” foi o barco vencedor de inúmeras regatas e fez história. Hoje encontra-se, conservada como relíquia e tombada pelo poder público, na sede náutica do clube. Os associados mais antigos contam inúmeras histórias de glórias e vitórias alcançadas com a “Alpha”. Em jornais da década de 1950 encontramos notícias sobre o veterano Grupo de Regatas Gragoatá, que relatam a participação dos “maçaricos” nas regatas em Niterói e no Rio de Janeiro ou como organizadores desses mesmos eventos, até a implementação do aterro da Praia Grande na década de 1970, que encerrou de vez suas atividades de remo.

Assim, chamou atenção, embora de forma ambígua, a notícia, publicada no Jornal mencionado acima. Diz ela o seguinte: “A empresa Planurbs está anunciando haver conquistado na Justiça a posse de áreas integrantes do Aterro Praia Grande e já vem negociando a sua utilização. Entre as áreas encontra-se o campo de futebol utilizado para os jogos oficiais da Liga Niteroiense de Desportos que deverá ser cedido para o Grupo de Regatas Gragoatá construir nova sede, localizada à beira mar, o que lhe permitirá voltar à sua origem com a prática do remo. O clube permanecerá com a sua sede antiga, no outro lado da rua onde está o que sobrou de sua propriedade, onde existiu um ginásio construído na década de 60 e hoje é parte de um conjunto de edifícios. …”. Agora, resta aguardar a evolução dos acontecimentos e a concretização dessas medidas. Só o tempo dirá…

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O cais do Gragoatá e, ao fundo, a pedra do Bem-te-vi. Foto: Cecília Brondi, 1938.
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Cais do Gragoatá, 1911.

 

 

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