CULTURA EM NITERÓI: Cinema brasileiro terá museu interativo

CULTURA EM NITERÓI: Cinema brasileiro terá museu interativo

Depois do MAC, já consagrado como cartão-postal internacional, Niterói se prepara para ter um dos mais modernos museus interativos do país

Imagem de como será o salão principal do museu, que vai juntar história e modernidade – Divulgação

Depois do MAC, já consagrado como cartão-postal internacional, Niterói se prepara para ter um dos mais modernos museus interativos do país. O Museu do Cinema Brasileiro, planejado no início dos anos 2000 mas esquecido por 15 anos, já está com projeto pronto e, o mais importante, agora tem dinheiro para ficar de pé.

O museu vai funcionar no segundo piso do Rolo, prédio anexo ao Reserva Cultural — também desenhado por Oscar Niemeyer — e única parte do complexo que não foi ocupada. O dinheiro veio de uma emenda de R$ 1,5 milhão do deputado federal Chico D’Angelo, assinada dias atrás, três semanas depois da visita do ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, a Niterói.

Sá Leitão, que foi diretor do Ancine e presidente da RioFilme, ficou encantado com o projeto. O museu é todo interativo e é inevitável a comparação com os geniais museus do Futebol e da Língua Portuguesa, ambos em São Paulo.

Um vídeo de pouco mais de três minutos, em 3D, passeia pelo espaço e antecipa o que o público poderá ver. O prédio, em formato redondo, terá uma grande sala no centro e dezenas de telas com trechos de filmes, galeria de personagens, cartazes e linha do tempo da história do cinema, em que o público poderá selecionar as produções por década.

Em volta do salão principal, há salas de exibição, simulação de sets de filmagem, câmeras usadas em diferentes épocas e ilhas de edição, tanto da era digital quanto de antigamente. Há ainda salas sobre curtas-metragens e documentários. Em todos os espaços, a ideia é que o público interaja e se sinta participando da produção de um filme.

Nos próximos meses, a prefeitura vai lançar a licitação para as obras do museu. Paralelamente, um conjunto de medidas, em parceria com o Ministério da Cultura, pretende estimular o setor audiovisual na cidade. Entre elas está o incentivo para que Niterói seja usada como locação para produções nacionais e internacionais.

(Fonte: O Globo, via Blog do Axel Grael, 18/8/2017)

Este texto foi apresentado na reunião do Rotary Niterói Icaraí, em 1/11/2017.

 

 

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Revitalização do Mercado Municipal: mais um capítulo

Revitalização do Mercado Municipal: mais um capítulo

A revitalização do Mercado Municipal de Niterói voltou às páginas dos periódicos e também à página da Prefeitura de Niterói na internet, trazendo mais algumas novidades sobre esse assunto:

Prefeitura lança edital para revitalização do Mercado Municipal

19/10/2017 – A Prefeitura de Niterói lançou nesta quinta-feira (19/10) o edital da licitação para a revitalização, implantação, manutenção e gestão do Mercado Municipal Feliciano Sodré, no Centro. No dia 12 de dezembro será a concretização do processo licitatório. A empresa vencedora da concessão deverá fazer a reforma do prédio, mantendo os aspectos arquitetônicos da fachada, no prazo de um ano, além de revitalizar o entorno, com a construção de uma praça, centro cultural e de edifício garagem com 300 vagas, em dois anos.

O investimento privado será de aproximadamente R$ 69 milhões e não haverá contrapartida do Município. A estimativa é que a primeira etapa da obra comece no início de 2018 e seja entregue em 2019. A concessão será de 25 anos.

A área tem cerca de 9.700 metros quadrados – destes, 3.662 metros quadrados pertencem ao prédio do Mercado Municipal que contará com um pavimento principal, com delicatessens, restaurantes, quiosques de flores, de artesanato e alimentos, entre outros produtos.

“O Mercado Municipal é um dos projetos estruturadores do segundo ciclo do planejamento estratégico Niterói Que Queremos. A Prefeitura está buscando parcerias no setor privado para realizar grandes projetos na cidade e o mercado promoverá uma revitalização completa na área, além de movimentar a economia da região gerando centenas de emprego no município”, explica a secretária de explica a secretária de Planejamento, Modernização da Gestão, Orçamento e Controle, Giovanna Victer, que apresentou o projeto.

A secretária lembrou todo o processo da elaboração do projeto para a concessão de obra pública, desde o lançamento do procedimento de manifestação de interesse (PMI) para o estudo da reestruturação do espaço e sua exploração econômica até a escolha do projeto e lançamento do edital.

Giovanna destacou que a concessionária se remunerará exclusivamente a partir da receita gerada pelo Mercado e que o município terá uma outorga fixa mínima garantida, que poderá crescer conforme o sucesso do empreendimento, limitados a 6% do faturamento. O maior valor de outorga é o critério da escolha da concessão.

“O objetivo é que o Mercado Municipal seja uma referência no estado, com produtos oriundos de cidades do interior. Não será uma série de lojas e sim uma experiência gastronômica e de lazer. O mercado é uma estratégia alternativa para o desenvolvimento econômico da cidade, geração de empregos e estímulo ao turismo”, pontua o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Indústria Naval e Petróleo e Gás, Luiz Paulino Moreira Leite.

Também participaram do lançamento do edital o presidente da Câmara, Paulo Bagueira, o deputado estadual Waldeck Carneiro, os secretários Axel Grael (Executivo) e Fabiano Gonçalves (Administração), e a coordenadora do Núcleo de Gestão Estratégica, Gláucia Macedo, além de outras autoridades do município.”

(Fonte: Prefeitura Municipal de Niterói, via Blog do Axel Grael)

Este texto foi apresentado na reunião do Rotary Niterói Icaraí, em 25/10/2017.

 

Liceu Nilo Peçanha completa 170 anos

Liceu Nilo Peçanha completa 170 anos

Em setembro saiu estampado em diversos jornais a efeméride destacada sobre o Liceu Nilo Peçanha, uma das instituições de ensino mais antigas no Estado do Rio. Diz a matéria:

Escola pública estadual de Niterói foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 1984

O Liceu Nilo Peçanha, tradicional escola pública estadual de Niterói, completou 170 anos neste dia 12 de setembro. Com uma bela e apreciável arquitetura, o imóvel, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 1984, se destaca no conjunto arquitetônico da Praça da República, localizado na mesma cidade, demonstrando a importância histórica para a região.

A escola nasceu como Liceu Provincial de Niterói, em 12 de setembro de 1847, a partir de autorização do então presidente da Província do Rio de Janeiro, Visconde de Sepetiba. A unidade de ensino está em plena atividade, contando com mais de 2 mil alunos e funcionando nos períodos matutino, vespertino e noturno.

Uma das principais características é a forte ligação atual e histórica que os alunos e professores têm com a arte e a cultura, compondo grupos de teatro, coral, dança e até uma rádio, comanda pelos próprios estudantes. Inclusive, personalidades da literatura e da música que são referências nessas áreas, como o escritor Lima Barreto, o cantor Ronnie Von – ícone da Jovem Guarda – e a cantora Baby do Brasil, estudaram no Liceu.

Quem estuda e trabalha na unidade de ensino destaca a forte ligação com a escola e sabe que dificilmente se esquecerá das conversas pelos corredores, jardins, salas e outros espaços. Alguns professores, por exemplo, fazem parte do quadro de servidores há 5, 10 e até 30 anos.”

(Fonte: Jornal Gazeta Niteroiense, 16 a 33/9/2017, História, p.8)

 

Leia mais sobre as comemorações aqui.

(Foto: mapio.net/pic/p-15347248)

Este texto foi apresentado na reunião do Rotary Niterói Icaraí, em 27/9/2017.

 

 

“Morre Emmanuel de Macedo Soares”

“Morre Emmanuel de Macedo Soares”

Não podemos deixar de registrar o falecimento do jornalista e historiador Emmanuel de Macedo Soares, que teve um papel importantíssimo no resgate da história do município de Niterói, e prestar nossa singela homenagem.

Em 14 de abril de 2017, o jornal “O Fluminense” noticiou:

Por Lislane Rottas

Morreu ontem, aos 71 anos, o jornalista, pesquisador e historiador Emmanuel Bragança de Macedo Soares. Internado desde o dia 4 de abril no Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), no Fonseca, para tratar uma infecção pulmonar, o pesquisador sofreu uma parada cardíaca na madrugada de ontem e não resistiu. O corpo será velado hoje, das 10h às 16h, no salão nobre do Cemitério Parque da Colina, em Pendotiba, e cremado na segunda-feira, em uma cerimônia restrita a familiares. Ele deixa quatro filhos (Marcelo, Cristina, Fabrícia e João Augusto) e dois netos (Pedro e Lucas).

Para o filho mais velho de Emmanuel, o também jornalista Marcelo Macedo Soares, o pai nunca será esquecido:

“Meu pai é eterno e não vai morrer nunca, como a história de Niterói e do Estado do Rio de Janeiro. A obra dele vai ser eterna”, desabafou.

O secretário municipal Cultura, Marcos Gomes, também comentou o falecimento do historiador.

“Emmanuel é uma daquelas pessoas que passou a vida inteira estudando a cidade de Niterói. Nos deixa um grande legado e, certamente, é um daqueles niteroienses que vão ficar guardados na memória da cidade eternamente”, afirmou.

Márcia Pessanha, presidente da Academia Niteroiense de Letras (ANF), da qual Emmanuel também era membro, disse que recebeu a notícia com muito pesar.

“Ele era um pesquisador e conhecedor nato da história de Niterói. A sua partida nos deixa uma grande lacuna, pois ele era um grande contribuinte para a cultura literária e histórica da nossa cidade. Lamentamos muito a perda da pessoa e grande profissional que ele representava”, afirmou Márcia.

Waldenir de Bragança, presidente da Academia Fluminense de de Letras (AFL) e ex-prefeito de Niterói, também lamentou a perda do amigo.

“Além de meu compadre era meu conterrâneo. Uma pessoa maravilhosa com um nível intelectual indiscutível. Sua memória era capaz de guardar muitos fatos e depois reproduzí-los fielmente, com uma capacidade cognitiva admirada por todos. Certamente sua ausência será muito sentida por todos nós. Eu o considero como o maior historiador memorialista da nossa geração e vai continuar vivo pelas obras que ele deixou. Vamos nos lembrar com muito carinho de uma pessoa que deixava suas marcas através da inteligência”, afirmou Waldenir.

O presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Niterói (IHGN), Marcus Vinicius Varella, disse que recebeu com muita tristeza a notícia do falecimento do colega.

Historiador – Em seu texto sobre Emmanuel de Macedo Soares, no livro “Niterói: 12 depoimentos” (Palanque Editora, 2001), o jornalista e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Niterói, Júlio Vasco, escreveu que a paixão pela História levou Emmanuel “a enveredar pelas mais diversas empreitadas: escreveu livros contando as histórias dos momumentos de Niterói; dos ex-prefeitos municipais; do Teatro Municipal João Caetano, e da Política Fluminense, sem falar em inúmeros projetos que desenvolveu na Imprensa Oficial do Estado, tais como O Prelo, suplemento cultural, e uma série histórica sobre municípios fluminenses”.

Nascido em Araruama, na Região dos Lagos, veio morar em Niterói aos 17 anos. Seu primeiro texto jornalístico foi um artigo sobre o pintor Antônio Parreiras, publicado em O FLUMINENSE, em 30 de agosto de 1961, relembrou em depoimento a Júlio Vasco .

O primeiro salário viria pouco após, em maio de 1962, como repórter do informativo radiofônico Grande Jornal Fluminense, no qual trabalhou até 1963. Do Grande Jornal, Emmanuel passou para Última Hora, de Samuel Wainer, ficando ali até 1964. Daquele momento em diante, em função do tumultuado quadro político nacional, passou por diversos empregos — em O FLUMINENSE, em O Globo, no Diário Carioca e na Asa Press. Em 1969, retornou a O FLUMINENSE, no qual trabalharia até 1978.

“Ao longo das décadas de 1970, 1980 e 1990, consolidou a reputação de historiador minucioso, trabalhador incansável e redator brilhante.

Além de contar com um dos mais vastos arquivos da História de Niterói e do antigo Estado do Rio de Janeiro em geral, Emmanuel tem a seu favor uma memória prodigiosa e um permanente faro jornalístico”, descreveu o autor em seu livro.”

(Fonte: Jornal O Fluminense)

 

 

A Revolta da Armada

A Revolta da Armada

“Grave notícia se espalhou desde manhã cedo pela cidade: uma parte da força armada da nação se sublevara, e havia uma greve assustadora na estrada de ferro Central.
Nem tudo isso era verdade. Os sucessos ocorridos na estrada não tinham a gravidade que se anunciava; mas era certo que a esquadra se achava em atitude francamente hostil ao governo”.

Assim a Gazeta de Notícias, de 7 de setembro de 1893, iniciava a matéria sobre a Revolta da Armada, rebelião da última década do século XIX, que evidenciou algumas das cisões da então incipiente República brasileira.

A Brasiliana Fotográfica traz [em seu site] registros fotográficos desse acontecimento produzidos pelo importante fotógrafo Marc Ferrez (1843-1923), que foi fotógrafo da Marinha brasileira, e pelo espanhol Juan Gutierrez (?-1897), que chegou ao Brasil, provavelmente, na década de 1880, e foi um dos últimos profissionais que recebeu o título de Photographo da Caza Imperial, em 1889.

Um pouco da história da Revolta da Armada

As origens da Revolta da Armada remontam a novembro de 1891 (Gazeta de Notícias, de 5 de novembro de 1881, na primeira coluna), quando o marechal Deodoro da Fonseca (1827-1892), primeiro presidente do Brasil, fechou o Congresso Nacional por não conseguir negociar com as bancadas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, estados produtores de café. Sob a liderança do contra-almirante Custódio de Mello (1840 – 1902), unidades da Marinha se sublevaram e ameaçaram bombardear o Rio de Janeiro. Vinte dias depois, em 23 de novembro, Deodoro renunciou e o vice-presidente, marechal Floriano Peixoto (1839-1895), assumiu a presidência (Gazeta de Notícias, de 24 de novembro de 1891). Porém, não convocou eleições presidenciais conforme previa a Constituição em vigor. Foi acusado de ocupar ilegalmente a presidência.

Em 1892, ocorreu o primeiro movimento de oposição: 13 oficiais-generais divulgaram um manifesto exigindo a convocação de eleições. Os líderes do movimento foram presos e parte deles foi mandada para o interior do estado do Amazonas, na cidade de Tabatinga (Diário de Notícias, 23 de abril de 1892, sob os títulos “Manifesto” e “Habeas Corpus”).

Em  6 de setembro de 1893, um grupo de oficiais da Marinha, liderados pelo ministro da Marinha e da Guerra, o contra-almirante Custódio de Mello (1840 – 1902), que pretendia se candidatar à sucessão de Floriano Peixoto, voltou a se rebelar. Iniciava-se assim a Revolta da Armada, na Baía de Guanabara, com os navios AquidabãJavariTrajano e República. Custódio de Mello divulgou um manifesto acusando o governo de ter “armado brasileiros contra brasileiros” e de ter iludido “a Nação, abrindo com mão sacrílega as arcas do erário público a uma política de suborno e corrupção”(Gazeta de Notícias, 8 de setembro de 1893, na quinta coluna). Também fazia parte do grupo o almirante Eduardo Wandenkolk (1838 – 1902), que havia sido ministro da Marinha do governo de Deodoro da Fonseca e que, um ano antes, havia sido um dos oficiais presos por ter assinado o manifesto dos 13 generais.  Além das acusações contra a política de Floriano Peixoto, os oficiais da Marinha também se ressentiam de seu desprestígio em relação aos oficiais do Exército.

Em 13 de setembro, os fortes fluminenses, em poder do Exército, começaram a ser bombardeados (Gazeta de Notícias, 14 de setembro de 1893, sob o título “A Revolta”). A frota das forças rebeldes era formada por embarcações da Marinha de Guerra e por navios civis de empresas brasileiras e estrangeiras.

Links para a Revista Illustrada, de outubro de 1893, página 4 e página 7.

Na Marinha os revoltosos eram maioria, porém enfrentavam forte oposição no Exército, onde milhares de jovens aderiam aos batalhões que apoiavam o presidente Floriano. As elites dos estados, principalmente a de São Paulo, também eram favoráveis a Floriano.

Na madrugada de 1º de dezembro, Custódio de Mello, no Aquidabã, seguido do República e de cruzadores auxiliares, foi para o sul para unir-se aos federalistas (O Paiz, 2 de dezembro de 1893, sob o título “A Revolta”). Na época acontecia a Revolução Federalista, uma disputa entre os federalistas (maragatos) e republicanos (pica-paus), esses últimos apoiados por Floriano. Os federalistas A cidade de Desterro, como se chamava então a capital de Santa Catarina, foi dominada pelos revoltosos.”

Veja algumas fotos do combate, flagrados pelos fotógrafos (clique sobre a foto para ampliar):

(Fonte: Brasiliana Fotográfica)

 

 

Paisagem cultural de Niterói

Paisagem cultural de Niterói

Extraímos do artigo “Marcos da Paisagem Cultural de Niterói“, publicado no Fórum Patrimônio, de 2012*, alguns trechos interessantes que explicam o conceito de “paisagem cultural”, no exemplo da cidade de Niterói e de acordo com os princípios adotados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o IPHAN. Esse artigo foi escrito por arquitetas e possui, portanto, um enfoque mais técnico sobre esse assunto. Os grifos são nossos:

“O reconhecimento da Paisagem Cultural de Niterói está apoiado em um tripé inseparável, a Cidade de Niterói, a Baia de Guanabara e a Cidade do Rio de Janeiro.

A entrada da Baia de Guanabara […] possui seus limites demarcados pelos pontões da cidade de Niterói com o maciço do Morro do Pico e da cidade do Rio de Janeiro com o maciço do Morro do Pão de Açúcar. Essas formações rochosas constituíram importantes pontos de defesa com construção de fortificações [v. sistema de defesa da entrada da baía em 3, 4 níveis], além de se destacarem como marcos de visualização da paisagem cultural urbana das duas cidades.

Forte de Gragoatá, sem data.

Na cidade de Niterói voltada para a Baía, após vários aterros [ex. Aterro da Praia Grande na década de 1970], encontram-se os bairros Ponta da Areia, Centro, Gragoatá, São Domingos, Praia Vermelha, Praia das Flechas, Praia de Icaraí, com seus monumentos naturais como a Pedra do Índio e a Itapuca, as Enseadas de São Francisco, Charitas e de Jurujuba.

Publicação sobre o projeto de saneamento do antigo mangue de São Lourenço e construção do porto de Niterói, 1927.

Uma avenida beira-mar foi idealizada desde os primeiros prefeitos niteroienses, como avenida para uso turístico e esportivo [v. esportes náuticos, como remo e vela], que com o tempo ligaria os bairros costeiros da baía com os bairros oceânicos da cidade como Itaipu, Piratininga, Camboinhas, Itacoatiara. Essa avenida litorânea viria a propiciar uma paisagem onde a natureza se destacaria, dando beleza e qualidade ao ambiente urbano promovendo pontos de apreciação e fruição da Baia de Guanabara e também no litoral oceânico, criando um outro diferencial de apropriação da paisagem na cidade.

Cais do Gragoatá, em 1911, perdido com o aterro da Praia Grande.

A cidade de Niterói teve sua origem na localidade que hoje é reconhecida como bairro de São Lourenço nas redondezas da Rua São Lourenço, com a delimitação e implantação da Aldeia do Índio Araribóia (aldeia São Lourenço dos Índios), que se estendia pela área hoje ocupada pelo Centro, Gragoatá e São Domingos. Mais tarde, na década de 1860, é que a povoação de Niterói foi mais diretamente ligada ao bairro de Icaraí, com a abertura de uma pedra que se interpunha entre os bairros do Ingá e Icaraí. Mais tarde, a Estrada Fróes interligou Icaraí a São Francisco alongando mais um pouco a avenida litorânea.

O arco entre Ingá e Icaraí, em foto atribuída a Julius Mill. Foi demolido para facilitar a passagem entre os dois bairros.

 

O chamado canto do rio, antes da abertura da estrada Fróes, em 1910.
A Praia de Icaraí em 1904 e 1930.

A cidade começou a se desenvolver urbanisticamente com os planos de arruamento do atual Centro e Icaraí, desencadeando a ocupação desses bairros, que ganham novas praças, jardins, além de construções, como os primeiros arranha-céus com atividades culturais, como o Cassino Icaraí (1936) e Cinema Icaraí (1944), no caso do bairro de Icaraí.

A vida social, artística e cultural do bairro conquistou o glamour, dinamismo e intensidade de uma sociedade em plena atividade social urbana. O ambiente natural e essas atividades deram forma e característica à vida na cidade de Niterói ao longo do tempo. Com a natureza rica e evidenciando o uso dos espaços livres ao longo do mar, as atividades de rua tornaram-se hábitos da população, como caminhadas, passeios e encontros que ocorriam diariamente. […].

A cidade de Niterói é conhecida pela qualidade de vida. Por ter sido capital do estado foi palco de acontecimentos sociais, culturais e políticos intensos. É uma cidade privilegiada também pela sua notável vista da Baia de Guanabara com a silhueta fantástica da cidade do Rio de Janeiro ao fundo. E agora se projeta, internacionalmente, como museu aberto das obras arquitetônicas do arquiteto Oscar Niemeyer.

Projeto Caminho Niemeyer, em foto recente.

Em Niterói sempre existiu uma vocação cultural e turística da área litorânea da cidade explorada pelos gestores de diversos governos municipais, desde os primórdios de sua história […].

* Autoras: Marlice Azevedo, Denise Monteiro e Silvana Valente dos Santos, arquitetas da UFF-PPGAU, artigo publicado na Revista “Fórum Patrimônio”, Belo Horizonte, v.5, n.2, jul/dez 2012